"É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?"
"Escrever é procurar entender,é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador."
"Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho só palavra a dizer. "
"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
..."estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? Quando não tenho o que dizer, fico com vontade de "passar a limpo" tudo ou então de apagar tudo e recomeçar a não ter o que dizer. Ou então viro criança e minha vontade seria depender inteiramente de outra pessoa e esperar dela todos os ensinamentos. Ou então viro mãe e me preparo toda para dizer grave: as coisas são assim e assim, meu filho. Preparo-me bem grave, tenho o gesto maternal de começar a informar - e na hora de abrir a boca não tenho o que dizer, viro de novo ignorante e em vez de dizer o discurso, imploro: por favor, diga! E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente."
"Eu não escrevo aquilo que quero, eu escrevo aquilo que sou"
"Tenho medo de escrever, é tão perigoso. Medo de mexer no que está oculto e o mundo não está à tona. Ele esta submerso em suas raízes de profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio, mas é um vazio terrivelmente perigoso, dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo das ciladas das palavras. As palavras que digo escondem outras. Quais? Talvez as diga. Escrever é como uma pedra lançada num poço fundo."
(Trechos de Clarice Lispector)
Ai ai...
E novamente passei mais tempo do que pretendia sem postar...
Nem é falta de tempo... é falta de criatividade mesmo...
C-R-I-A-T-I-V-I-D-A-D-E
Oh! coisa chata!
Depender do que chamam de "inspiração" pra escrever...
O pior é ser assim, ter consciência disso. Claro que eu poderia escrever qualquer coisa... nem creio que muitas pessoas leiam, mas EU sei o que escrevi, e não posso me permitir escrever algo apenas para preencher o tempo... mesmo que no fundo é o que esteja fazendo neste exato instante (ainda que odeie admitir).
O fato é que necessito escrever, não importa sobre que assunto... um mal necessário? Dependendo do ponto de vista talvez...
Na verdade, eu só diria isso quando tenho que fazer os trabalhos da facul... xD
Em geral, amo escrever... ler então, nem se fala... menos o que escrevo... É bem estranho, mas não gosto do que escrevo... as poesias, principalmente. Sempre que releio elas, tenho vontade de juntar tudo e fazer uma bela fogueira no meu quintal... Aproveitar e comprar um pacote de marshimellows e imitar aqueles filmes americanos, onde se sentam à beira do fogo para assar esses docinhos... será que é bom? rsrs...
Mas... será que só eu sou assim?
Sou bem contraditória quanto a isso... ao mesmo tempo que odeio o que escrevo e queria fazer isso, também queria que as pessoas lessem... queria que gostassem... mas morro de medo da opinião alheia, mesmo que eu seja dura comigo mesma (pelo menos é o que me dizem).
Será que sou louca?
Talvez... uhn... agora só falta aflorar meu lado "médico" de ser... pelo menos se o ditado for verdade... kkk
PS: Desculpem o excesso de Clarice Lispector, mas amo o que ela escreveu...
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